quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Nudez

Sinto a vontade crescente de ficar à vontade
De me despir de todos os mitos
De todos os hábitos
De todos os prós e contras e da paralisia da modernidade romântica
Do meu gênero e do meu sexo

Quando o cabelo de um homem está tão comprido quanto o meu
Só o preconceito pode cortar

domingo, 16 de dezembro de 2012

n m inporto11!!

n m inporto
n m inporto
n m inporto
n m inporto
n m inporto
naum!
mi!
imprt!
n m inporto
n m inporto
n m inporto
n m inporto
n m inporto
naum!mi!imprt!
n minporto
n! ñ! nao! naum!
n m inporto

...MEXPÓRTO!

meu nascimento.


percebi hoje que meu nascimento é um acaso. é tão normal nascer aqui, nessa cidade linda e suja. perto do morro e do buraco. do lixo sólido que entope o chão e os esgotos. do lixo gasoso que me entope por dentro. percebi que é mero acaso ser de um país tão quente. ter nascido perto de vidas bem-vestidas e mortes nuas. e de ter nascido tão bem, melhor que muitos que eu conheço. para mim, nascer aqui é bem mais normal que no interior, na roça, em liverpool. realmente, é total acaso que eu tenha nascido tão longe do lennon. tão depois dele, e não antes. porque não antes. conheço pessoas que nasceram antes que nem souberam nada muito relevante sobre ele. e que viveram uma boa vida eu acredito. que eu tenha começado muito melhor que ele. e talvez aos trinta, não seja nada, perto do que ele foi. mas sei que dos quarenta ele já não vai mais passar. fica claro, que meu nascimento é alguma coisa que é menos eu possível. só pode ser obra de outras mãos, outras convicções, outras políticas, que não me dizem respeito. e talvez nunca digam. nem eu nem lennon tivemos a tarefa de planejar nosso primeiro acontecer no mundo. chegar aqui no mundo, no brasil, no estado de são paulo e na cidade de são paulo é muito mais casual que qualquer outra coisa que nos possa acontecer. fico pensando o que será de mim daqui pra frente.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

São São Paulo


Eis a cidade de São Paulo
Onde há mães que choram ao Parque da Juventude
Choram de saudade que dói e faz lembrar
E a gente que fica continua a guerra
Eis a cidade de São Paulo
Todo o dia uma luta calada pelo pão e o outro dia
Toda a noite, na calada, as balas atravessam peitos jovens
E a saudade aumenta no coração das mães
Chega de saudade!

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Perigo!

Escrevo e desgasto
Gasto!
Um terremoto e um fracasso.

Quero escutar mais devagar
Quero pensar mais devagar
Quero olhar mais devagar
Quero vagar!

Do meu chão eu sou pirata
Sou um território de passagem
De um rito, um sacrifício

Entro, vago, ilumino, aprendo
Me exponho ao estranho, ao exílio
Sempre a algo como a primeira vez.

Algo me acontece, me alcança
Se apodera de mim
Me deixo ser eu mesmo
Me escondo lá fora de mim
Passo, e a experiência me passa
Dou um passo ao estranho

Tudo é Perigoso! Divino! Maravilhoso!

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Amor!

Meu melhor amigo me ensinou uma vez
Que todo o amor é platônico.
Se você quer a pessoa que vê todo dia
Isso é costume!
Se você quer a pessoa pela qual sente falta
Isso é necessidade!
Se você quer a pessoa que queria que ela fosse
Isso é mentira!
Se você ama a pessoa já está dentro de você
Tão dentro que nunca mais vai embora
E te deixa tranquilo para viver sua vida mais intensamente
Esse é o amor!
Nothing you can do
But you can learn how to be you in time
It's easy.

domingo, 30 de setembro de 2012

Criancice

No elevador eu sinto um cheiro de perfume
Me lembra a infância.
Me lembra o perfume de minha avó
Que me deixou
Uma saudade apertando no peito.
É bom ser criança,
Mas é melhor ainda ter sido.