sexta-feira, 27 de abril de 2012

A princesa, seu pai e seu piquete


Vem ao pai a mulata pedir, dócil e destemida, com ares de sonhadora.
Veja, majestoso pai, descobri, depois de muito pensar,
Qual será para mim teu nobre presente.
Pôs-se o pai, rico e admirável senhor daqueles lugares
Por onde andam aqueles que tudo podem, a indagar:
Pedes filha, ora! Senão agora, que outra hora terei deleites de realizar-te?
Será então, meu altivo pai, uma não breve nem rasa noitada
Que como regalo me darás
E com aquele com o qual eu não tenho me apaixonado
Mas desejo o corpo e tudo o mais.
Será também, pai do meu coração, a caminho do paraíso e dentro de um furgão
Que com aquele que anseio me deitarei e suarei e gritarei.
Desconfiado responde o pai, e ainda muito temeroso.
Mas se está é tua vontade e que seja, como serei visto eu,
Se por aí sai minha filha a se esbaldar e lambuzar com qualquer rosto da praça
Sem antes que eu tenha, com respeito à segurança
Lhe provido de um cabra de raça macha que lhe ofertará sua escolta armada?
Já delirante e concupiscente, responde a filha ao nobre pai
Veja meu pai, quem seria pois, se não este cuja macheza tantas vezes já provei.






quinta-feira, 26 de abril de 2012

Tropicalia e Facebook

Tem coisas que a gente só faz por amor.
Entrar no facebook por exemplo, eu fiz porque meu amor me pediu, propagandeou até não poder mais.
Mas acho bom. Me sinto conectado, novo, atual. 




Outras coisas podemos fazer porque qualquer outro nos pede. Por isso...
O começo dos novos tempos da música brasileira!
Ouçam!


01_Miserere_Nobis
02_Coracao_Materno
03_Panis_Et_Circencis
04_Lindoneia
05_Parque_Industrial
06_Geleia_Geral
07_Baby
08_Las_Tres_Carabelas
09_Enquanto_Seu_Lobo_Nao_Vem
10_Mamae_Coragem
11_Bat_Macumba
12_Hino_Ao_Senhor_Do_Bonfim

Beijos!




Dom Quixote e aquele amor que nós perdemos...


Eu descobri então a um tempo atrás,
mas menos tempo do que aquele que acredito ter iniciado meu profundo buscar pelo amor, 
que vivo a própria crítica do Dom Quixote.
Para quem não sabe, trata-se de uma obra da literatura espanhola, 
cujo protagonista crê ser um nobre cavaleiro, romântico, apaixonado, aventureiro.
Porém, seu mundo “real” não é o das grandes novelas cavalheirescas. 
Fora de sua época ele não passa de um louco. 
E todos/as entendem: essa obra conta a história de um cidadão
que acredita ser um nobre cavaleiro, 
porém, fora de sua época, pois na verdade Dom Quixote é um louco. 
Louco!?
Por tentar trazer para seu mundo novamente o amor romântico, 
que foi deixado junto com os desavanços industriais. 
Sinceramente, ele é um louco! 
Só pode ser um lunático! 
Descobri que Dom Quixote também é uma crítica a enlouquização do amor! 
Será que é este velho que está louco? 
Porque não é a sociedade?
Após anos de auto-maltrato, após ricas e profundas mudanças científicas, quem enlouqueceu?  
Dom Quixote estava lá buscando por seus ideais. 
Ideal para nós virou sinônimo de comunismo e fanatismo. 
Palavra mal dita. Qualquer ideal revela nossas crenças e fraquezas.
Nossa demora, atraso, infância. 
Não podemos deixar isso transparecer! 
Nisso tudo, eu me sinto o próprio Dom Quixote,
lutando em meu tempo para convencer outros/as de que amor não é ruim! 
Não é a causa de todos nossos males! Não mata nações! Não produz pobrezas e guerras! 
Amor é bom! E belo!